Transição energética

Entenda o papel da ABESPetro na transformação do setor energético rumo à sustentabilidade e fontes renováveis.

Sobre a transformação do setor energético

A transição energética é um tema cada vez mais presente na agenda global, à medida que esforços se intensificam para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fazer a transição para uma economia de baixo carbono.

A complexidade e as incertezas resultaram na aplicação de diversas terminologias para nomear a mudança em curso. Além dos termos “descarbonização” e “transição energética”, aparecem “diversificação energética” ou “adição energética”, pois novas fontes serão incluídas na matriz energética. Aparece também a “evolução energética”, pois as mudanças refletem amadurecimento e avanços na maneira de superar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Paris, em 2015, estabeleceu metas para limitar o aumento da temperatura global a 2°C até 2030. Muitos países também já desenvolveram ou estão na iminência de desenvolver mercados regulados de carbono como uma abordagem para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, empresas e instituições financeiras têm requisitos rigorosos de ESG (sigla em inglês para Ambiente, Sociedade e Governança), incluindo metas próprias para redução de CO2, que devem cumprir para atender às expectativas de seus acionistas e governos.

O surgimento de mercados regulados de carbono e os compromissos com neutralidade de carbono criaram um incentivo econômico para que as empresas priorizem práticas mais sustentáveis. Apesar dos obstáculos inerentes a mudanças tão profundas, o Brasil está avançando na implementação de seu mercado de carbono e no desenvolvimento de marcos regulatórios para projetos destinados à transição energética, como CCUS¹, hidrogênio verde e eólica offshore.

A ABESPetro enxerga a transição energética como movimento desejável e inevitável. Sua posição, que reflete a posição de suas associadas, consiste em adicionar ao foco das atividades petrolíferas as ações de transição energética que sejam próximas, adjacentes ou conectadas com a indústria do petróleo.

Tal movimento implica desenvolver tecnologias para descarbonizar as operações dos ativos de produção, desenvolver unidades de geração eólica offshore fixas ou flutuantes, desenvolver equipamentos de CCUS para reservatórios no offshore, desenvolver tecnologias para explorar minérios presentes na areia do fundo do mar, entre outras.

 

Em pesquisa com fornecedores do primeiro elo da indústria de petróleo e gás, foi revelado que apesar dos investimentos em curso na indústria de petróleo para avançar na transição energética, o crescimento populacional e a melhoria do padrão de vida em várias partes do mundo continuam a impulsionar a demanda global por energia. Este contexto representa um grande desafio para estratégias governamentais, cujo objetivo é fazer com que as energias renováveis compensem integralmente esse aumento da demanda. Além disso, surge uma crescente apreensão em relação à segurança do fornecimento e aos custos da energia após o conflito entre Rússia e Ucrânia e outros que possam surgir. Espera-se, assim, que a matriz energética do futuro seja significativamente mais diversificada, em vez de depender exclusivamente de uma ou duas fontes de energia. Nesse cenário, a indústria de petróleo desempenha um papel crucial na garantia do abastecimento energético a preços acessíveis.

Apesar da importância do petróleo para a matriz energética global hoje e para as próximas décadas, a urgência da transição energética impôs dificuldades adicionais para financiamento do setor, uma vez que bancos também buscam reduzir as emissões de CO2 nos projetos em que fazem investimentos e financiamento. Essa mudança de postura resulta em aumento de juros e, redução no tempo de pagamento e no volume disponível de recursos.

O fenômeno dificulta a viabilização de projetos de médio porte, ainda assim, da ordem de dezenas de milhões de dólares, como as adaptações em sodas de perfuração para atender determinados requisitos técnicos. Também impõe desafios aos projetos de grande porte, como a construção das Unidades Estacionárias de Produção (UEP), estes na casa dos bilhões de dólares. Até mesmo a velocidade da transição energética pode sofrer com esta situação, pois parte expressiva dos investimentos nas inovações que pavimentarão a transição são provenientes das receitas com a veda de petróleo.

¹ CCUS é a sigla em inglês de Carbon Capture, Use and Storage. Ou seja, Captura, Uso e Armazenamento de Carbono em reservatórios de petróleo já depletados (esvaziados).

Caderno ABESPetro 2024: fique por dentro do setor e da nossa agenda propositiva.

Transição Energética vs. Investimentos​

Projeções da Energy Information Administration (EIA) e International Energy Agency (IEA) indicam que o aumento do consumo previsto para as próximas três décadas fará com que o petróleo e o gás continuem desempenhando um papel significativo na matriz energética global pelo menos até 2050².

² U.S. Energy Information Administration, International Energy Outlook 2021 IEA 2023, World Energy Outlook 2022

Faça parte da associação que representa o primeiro elo da cadeia produtiva