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29/11/2019

Shell defende continuidade de leilões no país

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O presidente da petroleira no Brasil, André Araújo, diz que eventual interrupção nas licitações afetaria as operadoras e fornecedores da cadeia de óleo e gás
A Shell considera o Brasil um país atrativo para a indústria de óleo e gás, mas o governo deve buscar ações para manter essa atratividade frente à concorrência internacional. Deve ainda cuidar para que o calendário de leilões não seja interrompido pela discussão sobre concessão ou partilha como melhor modelo de exploração do pré-sal. As afirmações foram feitas ontem pelo presidente da Shell no Brasil, André Araújo, em evento no Rio.

Na avaliação do executivo, eventual interrupção na realização das licitações afetaria as operadoras, mas, sobretudo, os fornecedores da cadeia de petróleo e gás.

“Minha expectativa é que os leilões não se interrompam, porque isso foi uma das vitórias que a indústria teve nos últimos anos. Ele [o calendário de leilões] tem um impacto muito grande para nós operadores, mas, sobretudo, para a cadeia de suprimentos. Vimos, na prática, que a interrupção de leilões por muito tempo causa uma disrupção muito grande nos nossos fornecedores”, disse o executivo ao Valor no prêmio ANP de Inovação Tecnológica.

“A gente só não quer que esse debate [sobre a escolha do modelo] nos faça voltar atrás em uma série de avanços que houve na industria.” Sobre qual modelo de exploração seria o mais adequado, o executivo reiterou a preferência pelo modelo de concessão, embora tenha ressaltado que a Shell também tem trabalhado bem com o sistema de partilha de produção.

Além da preocupação com a continuidade dos leilões, o presidente da Shell Brasil disse que a indústria precisa de “termos e condições competitivos” nas licitações do governo federal. “Precisamos ter certeza que as condições oferecidas, no modelo que for, serão atrativas para a indústria. Você pode ter um projeto de concessão muito ruim, que não é atrativo competitivamente”, afirmou.

Indagado se essas declarações se relacionariam com a necessidade de negociar compensações à Petrobras em eventual exploração das áreas do excedente da cessão onerosa - leilão no qual a Shell não fez ofertas -, Araújo negou. Para ele, a situação das áreas licitadas da cessão onerosa “foi muito específica” e, portanto, não representa a realidade da maior parte do pré-sal.

“O Brasil, para a Shell, é uma prioridade. O fato de a gente não ter participado dos dois últimos leilões não tem nenhum significado com a atratividade do Brasil”, disse em referência à 6ª Rodada de Partilha do Pré-Sal e ao leilão dos excedentes da cessão onerosa. Ele lembrou que a Shell participara da 16ª Rodada de Concessões duas semanas antes daqueles leilões e investe em outros setores, como a geração de energia a gás. “O Brasil é um país atrativo e a Shell está pronta para investir”, completou.

Com relação a afirmações de concorrentes sobre descobertas em outras partes do mundo, que poderiam esvaziar o interesse no Brasil, Araújo afirmou que “esse tipo de colocação só reforça a necessidade de o país entender que tem de ser competitivo globalmente”. “Todo mundo tem limitação de capital e esse capital vai fluir para lugares que forem atrativos”, disse, acrescentando que o Brasil é atrativo. “O exterior tem que ser um motivador para a gente continuar a ser competitivo”, disse.

Este mês o Valor mostrou que, para o presidente da BP Energy do Brasil, Adriano Bastos, os investimentos que não vieram para o Brasil nos dois últimos leilões não virão no ano que vem, mesmo que as áreas sejam novamente ofertadas em melhores condições. Na ocasião, o executivo citou descobertas no Irã e a futura abertura de capital da Saudi Aramco como oportunidades que vão disputar com o pré-sal a atenção das petroleiras.

Araújo admitiu que a operação no Brasil pode ser “mais complexa” do que outras novas no mundo. “De certa forma, se entende o pré-sal como uma piscina de óleo fácil de ser perfurada. Na realidade, é um grande desafio, diferente de outros lugares do mundo.” Disse que o pré-sal é uma área “bastante complexa”, a 200 km da costa e, em alguns casos, com 2 mil metros de lâmina d'água e mais 5 mil ou 6 mil metros até chegar na jazida. “Isso cria certa complexidade que o Brasil tem superado muito bem, mas são sempre desafios.”

Fonte: Valor | Gabriel Vasconcelos