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29/08/2017

Campos antigos podem gerar investimentos de R$ 26 bi

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Para estimular empresas, ANP deve reduzir royalties sobre produção adicional

O uso de tecnologias avançadas para recuperar a produção de petróleo em campos antigos, que estão em declínio natural, na Bacia de Campos, pode gerar investimentos significativos e aumentar as reservas a curto prazo. De acordo com cálculos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cada 1% a mais no fator de recuperação — que mede quanto é possível extrair do reservatório — nos campos antigos, em operação há quase 40 anos, pode gerar investimentos de R$ 26 bilhões, o que resultaria em um aumento das reservas de um bilhão de barris de óleo equivalente (incluindo gás natural).

A estimativa é que esse volume adicional de de reservas ao serem produzidas gerem R$ 16 bilhões em royalties ao longo dos anos.

A queda na produção de petróleo no pós-sal, em torno de 30% nos últimos cinco anos, levou a ANP a decidir publicar, até dezembro, uma resolução que visa a estimular investimentos de petroleiras na revitalização. A resolução prevê uma redução no pagamento de royalties, que passariam de 10% para 5% sobre o volume de petróleo adicional produzido como resultado dos investimentos em recuperação da produção. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, destacou a importância de estimular essa recuperação gerando investimentos a curto prazo.

— Esse petróleo já está lá, não precisa descobrir. Com mais investimentos e mais tecnologias, aumentarão as reservas — disse Oddone.

EM TODO O PAÍS, MONTANTE DE R$ 56,7 BI O diretor-geral da ANP estima que, em todo o país, cada 1% de fator de recuperação pode resultar em um aumento nas reservas da ordem de 2,2 bilhões de barris de petróleo equivalente, gerando investimentos de R$ 56,7 bilhões. Essas reservas adicionais vão gerar royalties da ordem de R$ 34,6 bilhões.

Só nos campos de petróleo localizados em terra, cada 1% a mais de recuperação permitiria aumento de 200 milhões de barris de reservas de petróleo, investimentos de R$ 5 bilhões e receita futura de royalties de R$ 3,3 bilhões.

Atualmente, o fator de recuperação na Bacia de Campos é de 24%, levemente acima da média do país, que está em 21%. A comparação internacional indica que há espaço para aumentar esse percentual. Em outros países, que adotam tecnologias mais avançadas, o índice chega a 50%. O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, afirmou que revitalizar os campos maduros é uma das prioridades da nova política do setor, aprovada recentemente:
— Nosso fator de recuperação é muito baixo, da ordem de 21%, enquanto há países em que chega a 60%. Queremos identificar qual o potencial petrolífero desses campos, que estão em áreas que já têm infraestrutura.

José Firmo, presidente da Abespetro, que reúne as empresas prestadoras de serviços, destacou que é natural em outros países a saída das petroleiras de grande porte dos campos cuja produção entra em declínio, que passam a ser explorados por companhia de médio porte.

— É absolutamente comum em bacias maduras as grandes petroleiras saírem e entrarem empresas especializadas em recuperar a produção desses campos. A revitalização vai gerar mais investimentos e empregos — afirmou.

A Petrobras já colocou à venda vários campos antigos, incluindo alguns históricos, como o de Guaricema, no litoral de Sergipe — a primeira descoberta de petróleo no mar, em 1968. A estatal tem concentrado investimentos no desenvolvimento de campos do pré-sal.

Em Macaé, a prefeitura lançou a campanha "Menos royalties, mais empregos”, a favor da revitalização da Bacia de Campos. E estima que, com isso, será possível gerar 20 mil empregos na região.

Fonte: O Globo - Ramona Ordoñez