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14/08/2017

Infraestrutura e carga tributária tiram competitividade em O&G

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Apesar do inegável potencial geológico do Brasil, empresas que operam no setor de petróleo e gás apontaram "velhos fantasmas" que afetam a competitividade do país em pesquisa feita pela consultoria Accenture Strategy junto com a FGV Energia. Dos 74 entrevistados, mais da metade citou como barreiras a carga tributária, infraestrutura deficiente, falta de ambiente para inovação, e a rigidez das legislações trabalhista e ambiental.

A conclusão é que a existência de uma geologia atrativa no pré-sal brasileiro, única região no mundo capaz de competir com o "shale" americano, não será suficiente para atrair investimentos internacionais, apesar de ser um bom começo. Os executivos que responderam à pesquisa para o "Monitor de Atratividade de Investimentos no Setor Petrolífero" trabalham em empresas fornecedores e petroleiras.

Eles consideram que os leilões de 2017 serão marcos para a retomada do setor, mas 74% dos que responderam acham necessário reduzir a exigência de conteúdo local, mesmo que se reduza a participação de empresas brasileiras nos investimentos.

O resultado foi apresentado sexta-feira na FGV para dirigentes de empresas, entidades setoriais e reguladores como a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) e Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP). A avaliação geral é de que os bilionários investimentos esperados a partir dos leilões deste ano terão efeito sobre a retomada da atividade no biênio 2019-2020, e não 2018. Isso porque o início da exploração das áreas vai demorar cerca de dois anos. "É o ritmo normal da indústria", frisou Antônio Guimarães, secretário Executivo do IBP.

Fernanda Delgado, pesquisadora da FGV Energia, adiciona ainda que o ambiente instável no Brasil deixa as empresas menos propensas a se expor, o que segundo ela empurra investimentos para a frente. "A instabilidade política reduz a atratividade e de forma geral, o ambiente ainda é desafiador", ponderou Fernanda, acrescentando que a retomada em 2020 não terá o petróleo no patamar de preços do passado devido às mudanças trazidas pelo produção de petróleo em rochas de xisto (shale) nos Estados Unidos.

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, listou medidas adotadas pelo governo, entre elas mudanças no percentual de conteúdo local exigido e o perdão às empresas que descumpriram os percentuais (waiver). Mas também acha que "não há milagre" e que os investimentos proporcionados pelo novo marco regulatório não virão no curto prazo. Bruno Falcão, da Accenture Strategy mostrou alguns efeitos da queda da atividade exploratória no Brasil, observando que o número de poços offshore perfurados atualmente é comparável apenas ao verificado na década de 60. Já o objetivo da pesquisa, disse, é saber quando se dará a recuperação e como ela acontecerá.

Segundo cálculos de Magda Chambriard, ex-diretora-geral da ANP, o Brasil perdeu R$ 20 bilhões em investimentos que teriam sido feitos se 41 blocos não tivessem sido retirados da 9ª Rodada de licitações, realizada em 2007, após a descoberta do pré-sal que acabou sendo exclusiva para a Petrobras em 2010. Alguns desses blocos estão sendo oferecidos este ano, já que não existe mais a lei que obriga a estatal a ser operadora única.

Oddone observou que quem poderia trazer mais velocidade para a diversificação de atores no setor seria a Petrobras, com a venda de ativos. O desinvestimento da estatal, considerado atrativo por 85% dos entrevistados, é visto sob risco de perder o "timing", devido a ações judiciais e cobranças de órgãos fiscalizadores. Como exemplo de impacto sobre a exploração e produção "onshore" citou a venda dos campos incluídos no Projeto Topázio, da estatal. A produção de petróleo em terra no Brasil caiu 27% entre 2012 e 2017. E excluído o pré-sal, a produção hoje é de 1,48 milhão de barris diários, ante os 2,1 milhões de barris produzidos em 2010. "A Petrobras ainda tem privilégios e acho que ainda devemos evoluir um pouco mais para as companhias terem tratamento igualitário", disse Oddone.

Fonte: Valor Econômico